quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pinceladas

Mãe sempre levantou cedinho e cuidava de suas obrigações diárias.
Nessa época de frio, acordava, ia até à cozinha e assava banana na chapa do fogão à lenha para nós.
Era cuidadosa com suas crias. Só não gostava daquele café com alho e manteiga, pois enfiava goela abaixo
para curar meu  "difluxo", uma espécie de pigarro, que de manhã incomodava minha garganta. Resultado da noite anterior. Fazíamos uma fogueira na frente de casa para espantar o frio e assar inhame, batata doce e estourar pipoca no "burralho" quente.
Família tem dessa coisas, e isso é muito bom!
Lembro dela acendendo a fornalha, uma espécie de fogão pequeno. Cabia só um tacho.Acendia o fogo com uns gravetos colhidos no fundo do quintal. Graveto "bão", sequinho, pegava fogo logo!
Era para fazer doce de leite,
Lá pelas dez horas o doce estava borbulhando, parecia gostoso. Não, era gostoso mesmo. Brigávamos para rapar o tacho.
Ela riscava e marcava no tacho as partes iguais. Três partes, uma para mim e as outras duas para meus irmãos. E que briga quando um ia na parte do outro, é que de ladinho do tacho de um de nós estava mais recheado de doce. Crendospai! Mãe pegava um graveto e sapecava nossas pernas.
 Estou rindo agora, é bom dar uma pincelada na vida da gente de vez em quando.
A
gente cresce e ficam lembranças boas que nos enlaçam e sustentam nossas almas além anos...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Um Toque divino

Esse vento no nariz...
Esse frio de doer...

Tudo me encanta em agosto!

Já de manhãzinha, a praça se enfeita de crianças,vindas de todos os cantos.
O sol, tímidamente, roça suas bochechas, vindo detrás do morro da torre.

Ah! Senhor Sol, porque apareceu tão tarde?
Me delicio com essa cerração que envolve a praça, mas faz um frio.
Ainda bem que voce deu "as caras".

Agosto é assim mesmo...

Agosto me faz lembrar de voce, meu irmão, que de teimoso, se foi.
Será que voce aparece, de vez em quando, na praça?
As orquídeas e as roseiras que voce plantou ainda estão lá, sem flores, esperando a primavera.
Mas... O pé de ipê está "amarelim" de flor.
O chão está qualhado também.
Até seu xonado Miquel brincou com suas flores no domingo.

Abro meu coração agora e agradeço ao ipê amarelo por ter alegrado voce em vários "agosto, quando voce esteve no meio de nós.

Me encanto com o pé de ipê.
Me encanto até com a saudade que sinto de voce.

E agosto, de certo, anda encantando outras pessoas também.

domingo, 24 de junho de 2012

Era uma vez um paninho

          Na minha aldeia fala-se de um paninho charmoso, todo colorido,com flores miudinhas, outras tantas maiorzinhas. É a tal da chita.
          Veio de muito longe, atravessou o oceano.
           Encanta meu lar.
Dei a ela o direito de viver comigo. E como  é atrevida essa chita.!
Passeando pela sala, lá está ela, dando sopa nas cadeiras da Vó Natália ( depois de anos, "Bem Querer" achou-as perdidas e confundidas com poleiro de galinha no quintal do velho sobrado). Os hibiscos vermelhos com fundo verde deram um "it".

Mais perto da entrada, um vidrinho de flores de chita em tom de azul com poá preto, fazem combinação com a penteadeira azul intenso.
Não menos charmosa, ela aparece de novo no minúsculo bouquet colorido dando charme a uma velha garrafa de vinho, onde enrolei uma fita dourada para dar um "ar" sofist.

De novo ela aparece, dando sopa, antes do corredor, bem na parede da sala, em um panô quadrado de fuxico, em preto e branco e palha.

No quartinho das netinhas, dona chita enfeita com todo seu charme, um tercinho na cabeceira da cama. Enrosca, todas as noites, o corpinho de Yasmin e da Mariana envoltos nos edredons em tons rosa, e põe rosa nisso!
As "sempre vivas" coloridas dão o ar da graça na penteadeira confecionadas com chitinhas. Colore também o quarto da minha mãe, que sempre rechama porque tanta cor, tanta chita. Mal sabe ela que sua filhota (eu) vê o mundo todo colorido e a chita faz parte desse mundo. Acho uma delícia colocar cor nos meus dias com ela do meu lado.
E minha casa se encanta!




















quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poderosa


Dá-me cor!
Laranja, verde, azul, vermelho.
Flores, também!
Estiliza-me.

Inspire-se nos campos, nas festas, no arco-iris.

Inspire-se nos abraços, na ternura, na paixão.

Envolva-se em emoções, amores, aromas.

Enrosque-me nas sedas, rendas e linhos.

Renova-me no altar, na cama, nos palcos,

E serei eternamente CHITA!





terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O despertar


Um doido passa, pede um trocado
Uma árvore oferece flores
Um namorado pede beijos
Um angustiado pede oração.

O ano passa levando maldições
O outro vem trazendo esperanças
Passa tempo de chuva
lavando terra, levando mágoas

Sempre é tempo de mudanças

Muda de cara,veste alegria
Muda de roupa,colore o dia
Muda inverno, vem verão
Esquenta coração, esfria a cabeça

Porque não mudar?

Papai Noel já foi
Jesus já nasceu
Quem não sentiu, paciência!
Quem sentiu, lucrou.

Um doido ganhou o trocado
Alguem colheu as flores
A namorada beijou muito
A oração foi atendida.

Porque ficar na mesmice?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Retrô - Escola Estadual Prof. Cândido Gomes



--Hoje quando olho para aquele prédio imponente, com um belo jardim,
o ginásio coberto, uma horta de dar inveja, fico feliz por fazer parte da Escola Estadual Professor Cândido Gomes.
Acho até que fui um dos primeiros alunos, lá atrás...

--Entrei para o Ginásio, que correspondia da quinta a oitava série, na década de 1960. Estava completando 11 anos.
Era bem baixinha e me lembro que a saia era comprida, blusa branca e gravata azul marinho, modelo que detestei, porque a saia tampava minhas pernas grossas e fiquei parecendo maria mijona (era assim o apelido de quem usava roupa abaixo do joelho).

--O Colégio estava em reforma e fomos para o prédio da casa paroquial, emprestado pelo Padre João Bosco.

--Os professores foram os mesmos nos anos do ginásio.
Ficaram tão familiares que de ambas as partes havia uma grande amizade e carinho, nos mínimos detalhes.
A professora de Português, Dona Mariquinha (mãe do Padre João Bosco)era um doce,gostava de ver seu olhar para os alunos, parecia sorrir.
O Professor de Ciências era o Narciso Trindade, passava toda a matéria no quadro e a gente tinha que copiar, mas em compensação, dava nota boa para todos os alunos.
A professora de Inglês era a Pompéia Paiva. Se hoje sei um pouco de Ingles aprendi com ela, era ótima para ensinar.
A professora de desenho era a Isa Martins. Nos ensinou a fazer lindas barras geométricas.
O professor de história era o Rômulo Soares que tinha muita facilidade para transmitir a matéria.
A de Matemática era D. Judith Barcelos, não aprendi muito, além de não gostar da matéria, ela contava casos dos sobrinhos e a gente puxava assunto para a aula acabar depressa.
Mas... o professor de Geografia , o José Mauro Figueiredo, era dez ( hoje dou essa nota para ele), mas naquela época, ninguém gostava das suas aulas. Era bravo, implicante e super exigente. Qualquer conversinha na sala de aula, a gente ouvia: Pra fora! E como castigo fazia a gente desenhar os mapas do Brasil com todos os rios, outra vez, as principais cidades. Mas com ele nós aprendemos muito sobre o Brasil e os outros paizes. Ninguém tirava nota máxima, ele achava um jeito de tirar pontos nos deveres de casa, na participação nas aulas, nos cadernos sem capricho, enfim, era um carrasco. Mas todo mundo aprendeu geografia.

--O Professor José Mauro posso dizer que foi o melhor professor que já tive. Era um sábio. Lembro que ele fazia uma dinâmica ( hoje entendo assim), com os alunos, que era fundamental. Com a autorização dos pais ele nos excurcionava a lugares interessantes. Certa vez fomos para Ouro Preto. No caminho nos mostrava a topografia dos terrenos, as matas,os rios, a Serra do Caraça, vista de longe e também o Pico do Itacolomi já chegando em Ouro Preto. Sem contar as visitas que fazíamos aos museus, praças e igrejas históricas, enfim foi maravilhoso aquele passeio.

--A melhor parte veio no final do passeio quando ele nos liberou para conhecermos a Boite Calabouço. Foi bom demais! Tudo era novo, as músicas, o tipo de dança, tudo regado com Hi-fi, Cuba e Gin Tônica. Ficamos grog mesmo, até deu namoricos na pista da boite. Ele havia marcado para a gente chegar as 22 horas, e nós só conseguimos chegar depois das 02 da madrugada. Resultado: Tirou pontos de todo mundo na prova seguinte, pelo atraso.

--Tenho uma lembrança muito boa dos desfiles de 07 de setembro também. O colégio todo participava. Cada grupo dava o seu melhor para abrilhantar o desfile. Tinha a fanfarra, a Banda Santo Antônio (Hoje ela tem mais de 100 anos), a turma que ia de bicicleta, outra turma fazia um teatro sobre a Independência. No final, já mortos de fome nos dirigíamos ao colégio para nos deliciar com pão com salame e Q-suco de groselha. Lembro que tinha uma prima que ficava com vergonha de lanchar pois achava esquisito o lanche, então eu, mais que depressa comia o dela também.

--Anos mais tarde foram concluídas as obras do colégio.
Hoje a escola é motivo de orgulho para todos os moradores de Alvinópolis. É escola modelo para outras cidades graças ao empenho dos Diretores e professores, sendo os mesmos formados pela própria escola.

--Gravado com muito amor e saudade no meu coração de estudante.

Uma festa que deu o que falar


Quando os filhos estão pequenos a gente só inventa moda, assim
já dizia meu pai.
Resolvemos fazer uma festa no primeiro aniversário da nossa Tamara.
Pra começar, ela era tão popular, tão querida que na festa,
só de criança foram mais de cem.
As crianças crescidas como Luizão e Zé Delino não podiam faltar.
Morávamos no centro da cidade, onde era dona de uma boutique.
Como não podíamos pagar uma babá, sobrava para minha mãe cuidar da Tamara durante o dia.
Convocava os dois para levá-la até o Bairro Baixada, onde meus pais moravam.
Eles chegavam bem cedo e com que alegria a pegavam nos braços, cada hora era um.
O mais engraçado é que ela ia cheia de rendas e fitas, toda cheirosa, e os dois eram, meio que "casca grossa", sem dente, bobalhões e as roupas bem remendadas.
Isso não tinha importância. O importante era que eu gostava de ver a felicidade e o orgulho que os dois sentiam de poder atravessar a cidade inteira com a Tamara nos braços ( motivo dos convites serem especiais).
No dia do aniversário, Marcos e eu levantamos cedinho para ir catar umbaúbas no mato. Tínhamos bolado fazer umas gaiolinhas de umbaúbas para enfeitar as mesas.
Que gostoso lembrar!
Marcos e dois amigos trataram logo de fazer as gaiolinhas e eu fui confeccionar as rosas, margaridas, girassóis para enfeitar as mesmas. Com um detalhe, o Marcos só aceitou fazer as gaiolinhas se deixasse as portinhas abertas, e lá dentro as florzinhas. Nada de colocar na cabeça da criançada que gaiola servia para prender passarinhos, a intenção era outra.
Seis horas da tarde!!!
O clube ficou lindo!
Flores pra todo lado.
Nas paredes, as flores brigavam por um lugar dentro das peneiras de bambú.
Até os docinhos deliciosos feitos pelas mãos de fada de Vitória do Sr. Jorge Turco tinham um lugar de honra dentro das peneiras, que serviam de bandeijas.
Os refrigerantes, tive a idéia de armazená-los dentro dos filtros de louças que pedi emprestado na Lojinha de Dona Mariinha.
Foi um sucesso, as crianças vibraram!
Não faltou a Emília, a Cuca, Narizinho, Saci, enfim toda a turma do Sítio do Picapau Amarelo.
Até os pacotinhos de pipoca foram enfeitados com flores de papel crepon.
Acho que não faltou nada.
Ah! Faltou gelar os refrigerantes. Que correria! Apelei para os vizinhos que me socorreram com o gelo.
Tudo foi lindo. Maravilhoso!
Muita alegria!!!
Naquela noite adormecemos agarradinhos com ela no nosso meio, felizes!
Já se passaram 25 anos!
Uai! Será que estou ficando velha?